quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

O casamento no tempo de Jesus e no nosso

Isto não é para justificar o laxismo no casamento católico. É para questionar a continuidade do casamento cristão em relação ao casamento no tempo de Jesus. Quero sempre compreender melhor as palavras, valores e opções de Jesus, que são verdadeiramente libertadoras e apelam à soberania de Deus em todas as coisas. Também no casamento. E no recasamento, já agora.
Casamento no tempo de Jesus
- A poligamia era frequente (e ao contrário do que dizem os comentadores, também servia como metáfora da relação de Deus com o povo de Israel e Judá)
- O casamento de duas pessoas resultava do arranjo entre duas famílias
- As pessoas casavam por vontade dos pais; talvez a seguir viesse o amor entre o casal
- As meninas podiam ser dadas em casamento a partir dos 5 anos; 20 anos era o limite para se casar
- A mulher passava de uma família alargada para outra alargada, ficando no círculo das mulheres da nova família
- Quantos mais filhos, melhor; eram força de trabalho e segurança na velhice
- A esterilidade era uma maldição de Deus (hoje sabe-se que, em parte, era porque as meninas casavam-se impúberes) e era sempre da mulher
- A edução dos filhos era feita por um círculo alargado de pessoas, geralmente os tios
- O divórcio existia de acordo com a lei de Moisés e acontecia por vontade do homem (perece que em algumas comunidade helenizadas a mulher podia pedir o divórcio)
- No divórcio, a mulher ficava sempre com a pior parte: a família de origem sentia-se desonrada; a mulher ficava numa situação de desproteção (abandonada pela família do marido e geralmente ostracizada pela família de origem) e era criticada socialmente pelo divórcio
- No adultério não havia reciprocidade nem igualdade. Explico-me. Entendia-se que um homem (solteiro ou casado) só cometia adultério quando tinha relações com outra mulher casada (porque estava em causa o bem de outro homem). A mulher casada cometia adultério em qualquer situação (porque estava em causa o bem do seu homem). El qualquer situação, nunca está em causa o bem da mulher. Só do homem.

Hoje
- Não é permitida a poligamia
- O casamento é entre duas pessoas livres, independentemente da família
- O casamento dá-se por amor (na realidade, para a Igreja, o amor é indiferente; só conta a vontade)
- O casamento só pode acontecer a partir dos 16, 18 anos? Nem sei… Mas idade mudou. 20 anos é cedo.
- A mulher e o homem formam uma nova família
- Os filhos são tidos como despesa, pelo que poucos querem ter muitos
- A esterilidade nunca é uma questão de maldição de Deus; e pode ser do homem, da mulher, de ambos, de nenhum deles
- Os pais são os responsáveis pela educação dos filhos
- O divórcio civil pode acontecer por mútua vontade
- O divórcio, hoje, tem leis para proteger ambas as partes e os filhos
- O adultério é reciproco (apesar dos machismos todos que ainda existem).
Posto isto, tenho muitas dúvidas que a proibição do divórcio por Jesus (que em contexto judaico é essencialmente uma defesa da mulher e um meio de evitar o ódio entre clãs e famílias) tenha algo a ver com a indissolubilidade do casamento católico.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Os legionários, os arautos, os sodalícios, os malteses, os imaculados... todos diferentes, todos muito iguais nos lados obscuros, nas trapalhadas, nas obsessões dos seus dirigentes.

domingo, 31 de dezembro de 2017

Fim de ano: Tu

Como cantavam os judeus da Europa central, mesmo quando eram perseguidos:

Onde quer que eu vá, Tu,

onde quer que eu me detenha,
Tu, só Tu, ainda Tu, sempre Tu.
Céu, Tu, terra, Tu.
Para onde quer que eu me volte e admire,
só Tu, ainda Tu, sempre Tu.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Maradiaga

A ser verdade o que se diz de Maradiaga, que alguns apontavam como papabile, até já antes de Bento XVI, nem sei o que pensar. É um dos golpes mais duros à credibilidade dos homens da Igreja, desde há muito.

(no dia 26 de dezembro)
Mas... 

http://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2017-12/papa-telefonema-maradiaga.html#.WkKGuWpT3Ys.facebook

“Até o Santo Padre me disse que ‘sente muito por todo o mal que me fizeram’. Eu estou em paz porque estou com Jesus, que conhece o coração de cada um”.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Paisagem árida

"O ateísmo é uma paisagem árida demais para que se viva nela muito tempo", escreveu Paul Arden.

Quando um ateu ou agnóstico me diz
- pois, mas vocês acreditam em algo, têm uma vantagem, sempre têm algo que vos ajude...
tenho de lhe responder
- não é uma vantagem, é um fraqueza; infelizmente não somos tão autossuficientes ou autoconfiantes como vocês.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Semana dos Seminários

Parece que se dizem agnósticos (ou o mais conhecido deles). Mas a simbologia católica (sim, mais católica do que simplesmente protestante ou cristã) aparece com alguma frequência nos Green Day. Agora a capa do último disco.

O casamento no tempo de Jesus e no nosso

Isto não é para justificar o laxismo no casamento católico. É para questionar a continuidade do casamento cristão em relação ao casamento n...